Ofertas

sábado, 25 de julho de 2009

~ Normal.

~ Durante muito tempo eu me fiz a mesma pergunta: "Quem sou?" Sabe o que é muito tempo, mesmo? Já fiz enquete no ensino fundamental para saber o que as pessoas achavam de mim, e assim, fazer uma mescla das respostas e elaborar a minha, mas fracassei. Tentei me isolar algumas vezes, pra ver se eu conseguia sozinha, mas falhei de novo. No colégio , resolvi atirar para todo lado, 16 anos! Eu tinha que ter uma resposta! Perguntava para amigos , eles me olhavam do tipo: " Se ela não sabe, eu vou saber?" mas, por Deus! Como você é amigo de uma pessoa que você não sabe quem é? Enfim, e eles respondiam:"Você é legal" " Ah, você é atriz", "É química", "Fala espanhol, francês..." "Precisa melhorar nisso." "É independente." "A gente acredita em você."Alguém aí, por favor, me diz, que tipo de pessoa é essa? ninguém (normal) aguentaria tudo isso...
Cheguei próximo à um rascunho do que eu poderia ser: eu sinto, e se não sinto, não existo. Mas logo essa idéia foi apagada. Rascunho do que sou...
Então, desisti, cansei! Paguei a conta do analista para nunca mais saber quem sou...


melhor assim.


Angel(alguém ou até mesmo ninguém) - 18/07/2009 - 01h29

sábado, 18 de julho de 2009

~ Bigornas


~As lágrimas saiam dos meus olhos
com o peso de bigornas
Sentada no chão físico, existente.
sentia cada uma das bigornas caírem
Qual o peso que aquilo tinha dentro de mim?
Eram elas que preenchiam o vazio que eu sentia?
Estava vulnerável,
sem defesa.
Fraca demais para qualquer concorrente
Poderia encher a caixa d'água com aquelas bigornas.
Nunca havia me permitido isso por tão longo tempo.
Por quê isso era necessário?
Retomei o fôlego
e levantei leve como uma pena
as bigornas já não estavam em mim
Mas elas que me prendiam à realidade
a sensação de leveza não vai durar muito
Basta acordar,
e a primeira bigorna vai começar a se formar...



Angel(alguém ou até mesmo ninguém) - 18/07/2009- 00h41

sexta-feira, 10 de julho de 2009

~ Você ama, mas...

~ Não é o tempo inteiro que você ama quem você ama. Há intervalos, pausas, preguiças. Às vezes você passa um tempo sem amar quem você ama. Mas basta um perigo, uma doença, um assédio para você despertar para o seu amor, como de uma cochilada.
Nada a ver com desinteresse. Às vezes quem você ama faz alguma coisa que não é legal, que mexe com você, como uma palavra num tom errado, mas é coisa pequena, não vale a pena cobrar. Fica aquela preguiça, corpo mole. Beija, mas não é aquele beijo.
Outras vezes você acha que o seu amor falhou com você. Ou porque se esqueceu do seu aniversário, ou porque não ligou o dia inteiro, ou porque ligou o dia inteiro, ou porque passa tempo demais na internet, ou com fones nos ouvidos, desligado de você. Então você se permite um tempo para descansar um pouco do seu amor. Acha que está dando mais do que recebendo, e com isso tem deixado de fazer coisas, suas coisas. Aproveita o tempo para responder a e-mails acumulados, enviar fotos que ficou devendo, lavar o carro, copiar a chave perdida, levar o cão para um banho e tosa, pagar uma visita, levar aquele sapato para o conserto, talvez pedalar no parque. É gostoso esse tempo em que você não ama quem você ama, é quase como um fim de semana prolongado, sem viajar.
Tem horas em que você não se lembra de que está amando quem você ama, com tanta coisa para fazer disputando espaço na sua cabeça: trabalho, vestibular, currículo, entrevista, negócio, mãe, prestação vencida, filho, escola, compromissos, trânsito – e se distrai. Nessas horas você não está amando quem você ama. Não são falhas, são intervalos.
Chega um dia em que você precisa receber mais atenção de quem você ama, está carente, hipersensível, e não recebe. Em resposta, você dá uma recuada. Ou tem dia em que você está muito a fim e não coincide, e aí você recolhe a mão curiosa. Ou quer carinho e a mão não chega. Você vai para dentro da sua concha e deixa de amar quem você ama por um tempo variável de minutos a dias.
Pode acontecer uma vacilada. Não é que você não esteja mais amando quem você ama, é só um vacilo. Por exemplo, encontra casualmente uma paquera dos tempos de faculdade, ou uma paixão do colégio, aquela coisa que não chegou a ser, e alonga a conversa, fica testando se a outra parte desencanou total como você ou se guardou alguma coisa, é mais vaidade do que curiosidade, você fica tentando captar algum sinal, nem sabe se teria coragem, e nada acontece, e se despedem, e você passa uns dias com aquela imagem voltando... – e nos momentos dessa inquietação nostálgica você não está se lembrando de que ama mesmo é quem você ama.
Chuva, quando se está só, também deixa a gente precisando. Em caso de viagem, chega a doer, e você percebe que é saudade de abraço, da coisa física que é o abraço, impessoal de tão abraço. Nesse momento animal você nem está amando quem você ama, aquela coisa é só você, solidão.
É exaustivo manter a corda do amor esticada o tempo todo, e você descansa o braço para relaxar. Não é desamor, é uma pausa para beber água – mas já pensou se aquela bandida ou aquele bandido passa numa hora frágil dessas? São coisas que acontecem ao longo de um amor, e o momento passa sem bandidos, que apenas riscam a paisagem e somem como pássaros.
Quando você dorme, você não ama. É o melhor descanso. E quando sonha, então? Pode até permitir carícias de fantasmas, mas não é você que está ali, é tudo uma fantasia da qual quem ama retorna sem culpa.
Não é sempre que você ama quem você ama, mas, quando se dá conta, já passou uma vida inteira amando quem você ama.


Angel (alguém ou até mesmo ninguém) - 10/07/2009 - 23h48

sexta-feira, 3 de julho de 2009

~ A mais forte

~ Não, não falei! Não precisa dizer nada! Agora eu entendo tudo! Exatamente, agora, tudo parece ficar nos seus devidos lugares! Sei das respostas todas! Que vergonha! Não posso continuar sentada à mesma mesa que você (muda suas coisas para a mesa vizinha). Por isto tive que adornar seus chinelos com tulipas ... porque você gosta de tulipas. Por isto é que nós (joga os chinelos no chão) tivemos que passar todas as férias no Largo Malar – porque você não gostava de praia. Por isto, também, meu filho se chama Eskil – porque é o nome do seu pai; por isto tive que usar as cores de que você gosta, comer seus pratos prediletos, beber o que você gosta de beber – chocolate, por exemplo... É por isto! Oh Deus! É pavoroso ter que pensar nisto – horrível!! Tudo, tudo veio a mim de você, até mesmo suas paixões! Sua move-se furtivamente dentro da minha, como um verme, que rasteja, perfura e penetra uma maça, até que nada sobra além da casca ou dos restos! Eu tentei me livrar de você, mas não pude! Como uma serpente, me conquistava e me enfeitiçava com estes seus olhos negros...Sempre que abria as asas para escapar, sentia-me sendo puxada para baixo outra vez; meus pés permaneciam presos n’água e quanto mais lutava para me manter à tona, mais eu afundava; mais para baixo eu ia, até tocar o fundo com os pés, onde você estava, como um caranguejo gigante, pronto para me tomar com suas presas! E é onde estou agora! Oh! Como a detesto; odeio-a, odeio-a! Mas você, tudo o que faz é sentar-se ai em silêncio, fria e impassível!! Sem se importar se hoje é dia de lua cheia ou de lua nova, Natal ou Ano Bom, se os que a rodeiam estão felizes, ou não! Você não tem capacidade para odiar ou para amar, tem o sangue tão frio, como o de uma cegonha, quando observa o buraco de um rato. Você é incapaz de farejar a sua caça e de obtê-la, mas sabe como se esconder nos buracos e nos cantos até cansá-la. Ai esta você, sentada – acho que deve saber que todos chamam este lugar de ratoeira, em sua homenagem. Fica aí, correndo os olhos pelos jornais, na esperança de poder ler a respeito de alguém que tenha tido má sorte, ou que tenha passado por uma desgraça, ou sobre outro alguém que tenha sido expulso do Teatro....Ai esta você, à espreita de vitimas, avaliando suas chances, como um comandante de um navio em um naufrágio.


Trecho do texto "A mais forte" - August Strindberg

sexta-feira, 19 de junho de 2009

~ Sen(tir)sibili(ber...)dade

~ Adoro ter essa habilidade de ser sensível.
Desejo conhecer tudo a fundo,
mergulhar de cabeça sem precisar ver o mundo de cabeça para baixo.
Sou sensível e me irrito facilmente,
me alegro facilmente e por isso eu não sou fácil.
Sei falar sem parar um minuto,
mas também sei não falar por horas,
olhando para o nada,
tentando engolir tudo.
Me diga que o meu dia vai ser bom,
porque eu vou acreditar,
e ele vai ser.
Não me diga que a vida não vai ser boa,
porque eu vou sempre te provar o contrário.
Nada é um pouco,
é sempre um mais!
Mais vida, mais alegria, mais tristeza,
mais tentativas, mais vitórias.
Quem sente mais,
vive mais,
consegue mais.
Eles ouvem palavras,
eu ouço sentimentos.
Eles dizem frases,
eu recito amor.
A fila deles não anda, corre.
Eu lamento.
Já é chato não chegar a lugar nenhum,
imagina nunca chegar e ainda se cansar correndo no caminho?
Há quem veja sensibilidade
e quem veja exagero,
as coisas NUNCA mudam.
Não consigo então negar o que eu sou,
negar o que eu sinto.E nas constantes vezes em que me irrito ou sorrio,
desafio quem acha que por eu ser sensível sou fraca.
Não sou fraca, sou forte.
E como é bom saber que é essa força que nos diferencia.
Eu suporto ver o mundo como eu vejo,
você não suportaria.


Angel(alguém ou até mesmo ninguém) – 19/06/2009- 14h28

terça-feira, 9 de junho de 2009

~ Contradições


~ Amor... ô palavrinha que causa alvoroço! É... esse tal sentimento me pegou...
É interessante analisar, como depois de um tempo em que você jura que não vai mais amar, você ama...Dizia, assim como Shakespeare: “Prefiro ouvir meu cachorro latir para uma gralha a ouvir um homem dizer que me dedica amor.” E veja como estou agora...Boba, quase uma débil por causa dessa maldita palavra, que nem sei se é,o que é... desconheço o sentido, a essência de existir.
O mais incrível é você ficar esperando horas, aguardando ansiosamente o seu dia ativo terminar para encontrar com o amado (a), e quando se encontram, torna-se um dominador de face um sorriso largo e sincero, um olha de admiração e felicidade por estar ali, e um abraço faz toda a espera do dia valer a pena...
É bom ter com quem contar, pra quem contar como foi o dia, ter de quem ouvir, ter vontade de cantar uma bela canção... Serem crianças felizes juntos, sentir-se seguro e ao mesmo tempo tão livre que se tivesse asas voaria...
É estranho uma palavra só dar uma mudança tão significativa...Quando assumi estar sentindo afeto especial por alguém, um amigo meu me disse “ Não diga isso! O amor é ruim, é lindo mas pena que é falso” eu repentinamente respondi : “ que horror!” e ele me retrucou: “ Era o que você me dizia...”CAI DO CAVALO, quebrei as pernas, os braços, a cabeça, todos os ossos possíveis e imagináveis existente no corpo do ser humano...
Vivemos de contradições, e daí??? Estou aprendendo aos poucos...Quero vivenciar coisas novas, ter novas experiências e acreditar que um dia, descobrirei o verdadeiro significado de amor...


Angel (alguém ou até mesmo ninguém) – 09/06/2009 – 22h22

~ blablabla

~ Dois anos. Eu me lembro como se fosse hoje.
O vento frio subia a rua, desafiando a gravidade e me refrescando da temperatura quente do dia. Eu estava chegando em casa da padaria, um doce enorme debaixo do braço, e nada poderia me fazer menos feliz. O natal fora lindo e completo, e logo o ano novo ia começar; uma ótima notícia para quem ama novidades. Me lembro de estar ansiosa para chegar em casa, e de olhar para o céu e ver que o Sol começava a descer, dando a tudo um tom alaranjado.
Não é como nos filmes; nunca confie em Hollywood ou Steven Spielbert. Eu queria que algo pudesse mostrar tudo que se passa na cabeça de uma pessoa quando acontece algo do tipo. Quem sabe assim alguém entenderia.
Não há músicas de suspense, nem qualquer desconfiança; a pessoa não faz a mínima idéia do que vai acontecer. Pelo menos no meu caso, a rua não estava deserta, um casal vinha no sentido contrário, rindo e brincando de empurrar um ao outro. Me lembro de sorrir, associando a cena a uma de minhas melhores memórias. E, quando eu passei pela esquina, me lembro de olhar para o outro lado e vê-lo ali.
Nos filmes, o terror que se sente é muito menor do que esse. A surpresa é avassaladora, e o medo vem tão forte que você perde o equilíbrio. Não, ninguém entenderia.
Me lembro de chegar em casa aquela noite, meia hora depois, sem o mínimo apetite. Eu deixei o doce na cozinha e fui para o meu quarto. Felizmente não tinha ninguém em casa para me ouvir enquanto eu me desfazia no banheiro. Me lembro de ir até a janela, e de escorregar até o chão ao ver que ele ainda estava ali.


Angel(alguém ou até mesmo ninguém) - 08/06/2009 - 17h03

A inspiração voltou....